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Seminário debate contradições e potencialidades de Campos dos Goytacazes

As “singularidades, contradições e potencialidades de Campos” esteve em debate no início deste mês no Seminário “Campos de todos nós”. O evento foi realizado pela Fundação Maurício Grabois no auditório da ACIC (Associação Comercial e Industrial de Campos).

Personalidades da política local participaram do seminário, e ao final das palestras do economista José Alves de Azevedo e do sociologista e escritor Ricardo R. Shiota, os presentes puderam participar com perguntas após o debate, que foi mediado pelo professor Marcelo Soares. José Alves mostrou os números descendentes da economia de Campos e municípios da região entre 2014 e 2018.

Campos tinha PIB de R$ 58 milhões em 2014, mas caiu para R$ 17 milhões em 2016. Atualmente a média da renda salarial de Campos é de 2,5 salários mínimos, inferior a São João da Barra, que vive nova realidade com o Porto do Açu, e tem média na renda salarial de 3,6 salários. Veja a seguir, que Macaé supera a todos.

A professora Odete Rocha, uma das organizadoras do evento, destacou que “o objetivo da Fundação Maurício Grabois com o Seminário “Campos de todos nós” é discutir Campos com a comunidade acadêmica, com ênfase nas demandas de cinco importantes temas que mais afetam a população do município”.

O risco da redução drástica na receita royalties está na pauta das discussões. “Apesar da redução na receita royalties do petróleo, ainda vivemos a realidade dessa receita, mas não sabemos se será a mesma a partir de 20 novembro, quando o STF (Supremo Tribunal Federal). Precisamos debater as demandas constantes que Campos tem na Saúde, na Educação, no Transporte, na Segurança e na Economia”, declarou Odete Rocha, em entrevista exclusiva para o site da Rádio Web Ok (www.radiowebok.com.br).

Os debatedores responderam diversas perguntas. O sindicalista Carlos Morales (Pros), por exemplo, preocupado com o elevado índice de desemprego, indagou dos debatedores sobre a perspectiva da reforma da Previdência, os direitos trabalhistas, a geração de emprego. Ele destacou que é preciso que o governo aponte saída para a massa de desempregados.

O presidente Temer assumiu com 12 milhões de desempregados e terminou o governo com 14 milhões de desempregados”, observou Carlos Morales.

Universitários opinaram

“Eu achei o debate muito oportuno. Me formo no ano que vem em pedagodia, e concordo, com o que disse o economista José Alves, que Campos forma muita gente altamente qualificada, mas são poucas oportunidades. Existe um volume grande de recursos para a administração do município, mas a cidade não tem os resultados esperados pela população”, declarou a universitária da Uenf, Cindy Oliveira

Já o secundarista da Escola Técnica Antônio Sarlo, Pedro Lucas Boechat, ficou focado no
aspecto social do debate: “Como disse o sociólogo, Ricardo Shiota, entendo que é mesmo preciso encontrar uma saída para que o desenvolvimento seja eficiente. Então a saída é reiventar o capitalismo, com planejamento para acabar com a desigualdade que afeta a classe trabalhadora”, opinou Pedro Lucas.

Panorama da economia na visão do economista e do sociólogo.

O economista e mestre em planejamento regional, José Alves de Azevedo, fez ampla
explanação sobre a realidade da economia e o mercado de trabalho de Campos, São João da Barra, Macaé e Rio das Ostras.

José Alves apresentou as causas e os efeitos da queda no PIB da região a partir de 2014, e o impacto econômico e social advindos da quebra no preço do barril de petróleo, que naquele ano era cotado acima de U$ 100, e gerava receita polpuda de royalties que enchia os cofres dos municípios produtores de petróleo, mas que despencou com a queda do petróleo no mercado internacional, e chegou ao patamar de US$20 o barril em 2016, arruinando as contas, principalmente dos municípios maiores recebedores de royalties no período, no caso as Prefeituras de Campos, Macaé, Quissamã e Rio das Ostras.

“Campos exporta cérebros”

O economista mostrou os números atuais da economia regional, com ênfase nas consequências da crise econômica no mercado de trabalho. Na abordagem das singularidades e contradições, José Alves mostrou que “o polo universitário de Campos tem 25 mil estudantes nos cursos de nível superior, com formações em excelência nas mais diversas áreas, seja na gradução, no mestrado e doutorado. Mas essas mentes brilhantes não encontra oportunidade no mercado de trabalho da cidade, e por isso Campos exporta cérebros que vão desenvolver a produção, a economia em outras regiões”, disse o economista.

Ele apontou alternativas para a recuperação de receita para Campos e São João da Barra, com fomento para investimentos nos setores do agronegócio, agricultura familiar, petróleo e energia e portuário.

Economia em recuperação em Macaé

No panorama regional o seminário evidenciou a recuperação da economia em Macaé, mediante a decisão do governo federal de retomar os contratos da Petrobras. A cidade está com a renda salarial na média de 6,4 salários que supera a todos municípios produtores de petróleo da Bacia de Campos. Ricardo R. Shiota apregoa “planejar para desenvolver”

Na visão do sociólogo Ricardo R. Shiota, que teceu críticas ao modelo capitalista dominante, “é preciso mudanças para que de fato o desenvolvimento aconteça para o trabalhador”. Ele citou Carl Max e teceu considerações sobre “como fazer desenvolver países pobres”.

Ricardo Shiota deu exemplos aplicados em países latinos, como Argentina, Brasil, México, Peru, e também países de África, e defendeu que “o desenvolvimento eficiente se dá com planejamento”.

“Estudos mostram que 23% das famílias da população brasileira vive com renda salarial de R$1.200 e que 75% das famílias vive com renda salarial de R$ 3 mil. Isso evidencia uma dasmaiores desigualdades entre os países considerados em desenvolvimento”, observou o sociólogo Ricardo Shiota.

Da Redação

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